Elas no Congresso é uma iniciativa de tecnologia cívica e comunicação feminista do Instituto AzMina.
Monitoramos diariamente o que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal produzem sobre os direitos de mulheres, meninas e pessoas LGBTQIAPN+, e traduzimos isso em informação acessível para jornalistas, pesquisadores, movimentos sociais e qualquer pessoa interessada em acompanhar o Congresso. Desde 2025, o projeto conta com QuitérIA, a IA Feminista que facilita e agiliza esse trabalho.
A nossa história
Em 2020, diante do crescimento da disputa por pautas de gênero no Congresso Nacional, o Instituto AzMina identificou a necessidade de tornar o monitoramento legislativo mais acessível. Desde então, a iniciativa analisa projetos apresentados a partir de 2019.
Março de2020
Lançamento da robô @elasnocongresso no Twitter (X), projeto selecionado pelo Google News Initiative entre mais de 300 concorrentes na América Latina. A automação acompanhou as tramitações diárias até junho de 2023, quando foi descontinuada com o fechamento do acesso gratuito à API da plataforma.
Nasce o projeto
Junho de2020
Primeiro levantamento e análise de atividade legislativa, primeiro ranking parlamentar e estreia da newsletter, com curadoria de projetos e análise política semanal.
1ª newsletter
De 2020 a2024
Edições periódicas do Ranking dos Parlamentares, metodologicamente inspirado no Ruralômetro (Repórter Brasil).
Ranking
Ano de2024
Na revisão metodológica que antecedeu a criação da inteligência artificial, optamos por descontinuar o ranking e concentrar esforços na análise qualitativa das proposições — tirando o foco da ação individual dos parlamentares em favor de uma abordagem mais contextual. No fim do ano, lançamos a QuitérIA.
Fim do ranking
Ano de2026
Retreinamento da QuitérIA, criação da API, relançamento do site com evolução do painel público e sistema automatizado de alertas diários e semanais.
Cada proposição percorre quatro etapas: coleta, triagem pela IA, análise especializada e curadoria editorial.
1. Coleta automatizada
O raspador do Elas no Congresso está conectado às APIs da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A cada 24 horas, o código busca palavras-chave temáticas e armazena título, autoria, ementa e status na nossa API aberta. Se a ementa ou o texto integral contiver os termos mapeados, a matéria entra no fluxo de análise.
A QuitérIA faz a classificação inicial e a avaliação imediata das matérias coletadas, indicando tema e grau de desfavorabilidade. É o que permite dar conta do volume: o que antes levava semanas passa a estar disponível em horas. Nenhuma classificação da IA é publicada sem passar pela etapa seguinte.
3. Análise especializada
Nossa base reúne atualmente mais de 3.100 proposições anotadas, apresentadas no Congresso Nacional entre janeiro de 2019 e abril de 2026. Consideramos proposições da Câmara e do Senado (PECs, PLs, PLPs, PLVs, PDCs, PRCs, PLSs, PLNs, PRSs e PDSs) de autoria de parlamentares, comissões ou do Poder Executivo. Para evitar duplicidade, cada projeto é avaliado apenas na Casa em que se originou.
Especialistas de organizações parceiras analisam os projetos e atribuem uma classificação de impacto:
Favorávelamplia direitos, proteção ou acesso;
Favorável com ressalvaspositiva em sua essência, mas com pontos de atenção;
Desfavorável com ressalvasprejudicial no geral, mas com pontos positivos aproveitáveis;
Desfavorávelrestringe direitos ou gera discriminação.
Em cada proposição é possível ver qual organização fez a avaliação. Desde o segundo retreinamento da QuitérIA, as observações técnicas passaram a ser obrigatórias sempre que há algum nível de desfavorabilidade.
4. Curadoria editorial e distribuição
Semanalmente, a equipe da AzMina valida as classificações da IA e faz a mediação jornalística que traduz o “legislativês” em informação acessível. O resultado chega até você por três caminhos:
Radar Diário
Alerta customizável por tema, casa legislativa, comissão ou proposição, entregue por e-mail. Cadastre-se aqui
Newsletter com Radar Semanal
Principal canal de acompanhamento contínuo do projeto. Reúne, contextualiza e analisa os impactos políticos das tramitações, funcionando como instrumento de transparência e mobilização para a sociedade civil. A newsletter é a mesma para todas as pessoas assinantes; o Radar Semanal que a acompanha é customizável por tema.
Painel de Atividade Legislativa
Na página Atividade Legislativa você navega pelas propostas, compara a avaliação da QuitérIA com a avaliação humana e filtra por partido, tema e outros critérios.
Rede de organizações parceiras
Em vez de centralizar as avaliações em uma única equipe, o projeto adota um modelo colaborativo de produção de conhecimento. Cada organização contribui a partir de sua experiência temática, acumulada em anos de atuação em campos como direitos humanos, justiça de gênero, diversidade sexual e de gênero, enfrentamento à violência, saúde, comunicação, tecnologia, políticas urbanas, direitos reprodutivos e participação política.
Essa diversidade de perspectivas fortalece a qualidade das avaliações, reduz vieses individuais e amplia a capacidade do projeto de compreender os diferentes efeitos que uma proposição pode produzir sobre grupos sociais distintos. As justificativas técnicas registradas pelas organizações também alimentam a base de conhecimento do projeto: são elas a principal fonte de aprendizado da QuitérIA.
Fazem parte da rede: Anis Bioética, Artigo 19, Cepia, CFEMEA, Coletivo Mana a Mana, Ecos, Empodera, Gepô, Instituto + Diversidade, Instituto Maria da Penha, Instituto Patrícia Galvão, Instituto Update, Juristas Negras, LabCidade, Mulheres Negras Decidem, Observatório da Violência Obstétrica no Brasil, Plan International, Rede Feminista de Juristas (deFEMde), Rede Liberdade, Sempreviva Organização Feminista (SOF), Sexuality Policy Watch (SPW), Themis e TretAqui.
Transparência e dados abertos
O Elas no Congresso adota uma política rigorosa de dados abertos e Ciência Aberta:
API pública e gratuita: permite integrar nossos dados estruturados a outras aplicações, pesquisas acadêmicas e ferramentas de controle social.
Código do raspador e bases reutilizáveis: publicamos periodicamente as bases brutas e a documentação metodológica para auditoria e livre reuso por pessoas desenvolvedoras e jornalistas.
Repositório de treinamento da QuitérIA: todo o código usado no treinamento do modelo está aberto, e contribuições são bem-vindas.
Desafios e limitações
O desenvolvimento e a manutenção do Elas no Congresso enfrentam desafios técnicos, metodológicos e políticos contínuos.
Volume e complexidade — a produção parlamentar é altíssima, o que nos obriga a filtrar matérias por palavras-chave, um processo que pode deixar passar projetos com linguagem indireta, técnica ou incomum. Traduzir o “legislativês” também exige trabalho editorial constante.
Dependência de fontes externas — a coleta depende das APIs oficiais da Câmara e do Senado, sujeitas a instabilidades que afetam o ritmo de atualização da base. Além disso, emendas e substitutivos alteram os textos originais ao longo da tramitação, exigindo reavaliação permanente.
Subjetividade da análise — classificar pautas de gênero com consistência envolve gerenciar a subjetividade inerente à análise política e jurídica. Para isso, criamos critérios analíticos rigorosos aplicados pela rede colaborativa e duas instâncias de supervisão, o Comitê de Governança e o Comitê de Validação, além de enfrentar a resistência e a desconfiança legítimas sobre o uso de IA em direitos humanos. Erros, vieses e ambiguidades do modelo são mitigados por governança compartilhada e supervisão humana permanente.
Dados e infraestrutura — treinar um modelo de linguagem exige volume robusto de dados anotados. Podemos construir modelos cada vez mais acurados conforme avaliamos novos projetos ao longo do tempo, o que, por outro lado, demanda investimento em infraestrutura de hardware para comportar modelos maiores.
Contexto político e sustentabilidade — a iniciativa opera em um ambiente de forte disputa e de ataques diretos às pautas de gênero e aos direitos reprodutivos, somado ao desafio constante de captar financiamento para garantir a sustentabilidade, a escalabilidade e a autonomia da plataforma.
Próximos passos
O Elas no Congresso é uma iniciativa em constante aperfeiçoamento, acompanhando as transformações do processo legislativo, das categorias analíticas, das tecnologias de inteligência artificial e das necessidades da sociedade civil. Os próximos ciclos de desenvolvimento buscam consolidar o projeto como uma infraestrutura pública de monitoramento legislativo sensível a gênero, ampliando a cobertura, transparência e capacidade analítica.
Entre as prioridades estão o fortalecimento da QuitérIA, com novos ciclos de treinamento sobre uma base continuamente ampliada e a adoção do Protocolo de Avaliação de Proposições Legislativas, que padroniza critérios e qualifica as anotações humanas, e a realização periódica de avaliações de desempenho do modelo, com monitoramento de vieses, testes comparativos, publicação de indicadores de qualidade e estudos com técnicas de explicabilidade.
Queremos também seguir compartilhando metodologias, ferramentas e aprendizados com outras organizações da sociedade civil, estimulando novas iniciativas de monitoramento legislativo e de tecnologias cívicas comprometidas com os direitos humanos, a igualdade de gênero e o fortalecimento da democracia.
Os planos de evolução da plataforma, da metodologia e da inteligência artificial são atualizados continuamente e podem ser consultados no repositório público do projeto, onde estão registradas as funcionalidades implementadas, em desenvolvimento e planejadas.
Sistemas de monitoramento legislativo e inteligência cívica exigem adaptação permanente às transformações políticas, tecnológicas e sociais, o que depende de financiamento contínuo para manutenção e hospedagem técnica, atualização metodológica, governança de dados e fortalecimento institucional. Veja como contribuir financeiramente com esta iniciativa.
Em 2026, a QuitérIA venceu o prêmio WSA Brasil — World Summit Awards, na categoria Engajamento do Governo e do Cidadão, que celebra soluções digitais capazes de ampliar o acesso à informação, fortalecer a transparência, estimular a participação e contribuir para processos democráticos mais inclusivos. A premiação é conduzida pela ICNM, organização austríaca sem fins lucrativos com sede em Salzburgo e Viena, na Áustria.
A iniciativa já foi apresentada em eventos como os Congressos da Abraji, o Simpósio Internacional LAVITS, a Cryptorave, o CODA, o Parlaméricas e uma audiência pública do Ministério das Mulheres.
Expediente
Equipe AzMina
Diego Rabatone Oliveira — Consultor de Desenvolvimento / ASK-ARGiulia Santos — Gerente de ArteHelena Bertho — Diretoria estratégicaIngrid Fernandes — Gerente de TecnologiaMaria Ísis Santos — Coordenadora de Projetos de DadosMarília Moreira — Diretoria institucional
Ana Carolina AraújoRachel de AndradeRegina Célia BarbosaRoberta Viola
Edições anteriores
Adriano Belisário — Desenvolvimento de IA e modelagem de dadosAna Carolina Araújo — Gestora de Programas e ProjetosBárbara Libório — DiretoriaCarolina Oms — DiretoriaDiego Rabatone Oliveira — Consultor de Desenvolvimento / ASK-ARHaydée Svab — Consultora de Desenvolvimento / ASK-ARHelena Bertho — Diretoria EstratégicaIngrid Fernandes — Gerente de Tecnologia
Lucas Ansei — Desenvolvedor e modelagem de dados / App CívicoNatali Carvalho — NewsletterRenata Hirota — EstatísticaRoberta Viola — Desenvolvimento de IA e modelagem de dadosRobson Sobral — Desenvolvedor de frontend / App CívicoThais Fôlego — DiretoriaVinícius Pereira — Desenvolvedor de dataviz
Apoio
Este projeto conta com o apoio da Rede Feminista de IA da América Latina e do Caribe, do Codesinfo (Fundo de Inovação para o Jornalismo, coordenado pelo Projor com apoio da Google News Initiative), do Fundo ELAS+ Doar Para Transformar e da Agence Française de Développement (AFD). As ideias e opiniões expressas neste projeto são de responsabilidade das autoras e não refletem, necessariamente, o ponto de vista destes apoiadores.